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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A história do Ceará em um breve relato

Com a decisão do rei de Portugal D. João III em dividir o Brasil em capitanias hereditárias, coube ao português Antônio Cardoso de Barros, em 1535, administrar a Capitania do Siará (como era chamada a região correspondente as capitanias do Rio Grande, Ceará e Maranhão). Entretanto a região não lhe despertou interesse. Só então, em 1603, é que o açoriano Pero Coelho de Sousa liderou a primeira expedição a região, demostrando interesse em colonizar aquelas terras.

Pero Coelho se instalou às margens do rio Pirangi (depois batizado rio Siará), onde construiu o Forte de São Tiago, depois destruído por piratas franceses. A esquadra de Pero Coelho teve que enfrentar ainda a revolta dos índios da região que inconformados com a escravidão, destruíram o forte obrigando os europeus a migrarem para a ribeira do rio Jaguaribe. Lá, a esquadra de Pero Coelho construiu o Forte de São Lourenço. Em 1607, uma seca assolou a região e Pero Coelho abandonou a capitania.
Em 1612 foi enviado ao Siará o português Martim Soares Moreno, considerado o fundador do Ceará, que também se instalou às margens do Rio Siará (atualmente Barra do Ceará), onde recuperou e ampliou o Forte São Thiago e o batizou de Forte de São Sebastião. Deu-se início a colonização da capitania do Siará, dificultada pela oposição das tribos indígenas e invasões de piratas europeus.
No ano de 1637, região foi invadida por holandeses, enviados pelo príncipe Maurício de Nassau, que tomaram o Forte São Sebastião. Anos depois a expedição foi dizimada pelos ataques indígenas. Os holandeses ainda voltaram ao litoral brasileiro em 1649, numa expedição chefiada por Matias Beck e se instalaram nas proximidades do rio Pajéu, no Siará, onde construíram o Forte Schoonenborch.
Em 1654, o Schoonenborch foi tomado por portugueses, chefiados por Álvaro de Azevedo Barreto, e o forte foi renomeado de Forte de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A sua volta formou-se a segunda vila do Ceará, chamada de vila do Forte ou Fortaleza. A primeira vila reconhecida foi a de Aquiraz. Em 1726, a vila de Fortaleza passou a ser oficialmente a capital do Ceará após disputas com Aquiraz.

Ocupação

Duas frentes de ocupação atuaram no Siará, a primeira, chamada de sertão-de-fora foi controlada por pernambucanos que vinham do litoral, e a segunda, do sertão-de-dentro, controlada por baianos. Ao longo do tempo o Siará foi sendo ocupado o que impulsionou o surgimento de várias cidades. A pecuária serviu de motor para o povoamento e crescimento da região, transformado o Siará na “Civilização do Couro”.

Entre os séculos XVIII e XIX, o comércio do charque alavancou o crescimento econômico da região. Durante esse período, surgiram as cidades de Aracati, principal região comerciária do charque, Sobral, Icó, Acaraú, Camocim e Granja. Outras cidades como Caucaia, Crato, Pacajus, Messejana e Parangaba (as duas últimas bairros de Fortaleza) surgiram a partir da colonização indígena por parte dos jesuítas.

A partir de 1680, o Siará passou à condição de capitania subalterna de Pernambuco, desligada do Estado do Maranhão. A região só se tornou administrativamente independente em 1799, quando foi desmembrada de Pernambuco e o cultivo do algodão despontou como uma importante atividade econômica. Às vésperas da Independência do Brasil, em 28 de fevereiro de 1821, o Siará tornou-se uma província e assim permaneceu durante todo o período do Império. Com a Proclamação da República Brasileira, no ano de 1889, a província tornou-se o atual estado do Ceará.

Momentos históricos

Em 1817, os cearenses, liderados pela família Alencar, apoiaram a Revolução Pernambucana. O movimento, que se restringiu ao município do Cariri, especialmente na cidade do Crato, foi rapidamente sufocado.

Em 1824, após a independência, foi a vez dos cearenses das cidades do Crato, Icó e Quixeramobim demonstrarem sua insatisfação com o governo imperial. Assim eles se aderiram aos revoltosos pernambucanos na Confederação do Equador.

No século XIX, vários fatos marcaram a história do Ceará, como o fim da escravidão no Estado, em 25 de março de 1884, antes da Lei Áurea, assinada em 1888. O Ceará foi portanto o primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão. Um cearense se destacou nessa época: o jangadeiro Francisco José do Nascimento que se recusou a transportar escravos em sua jangada. José do Nascimento ficou conhecido como Dragão do Mar (atualmente nome de um centro cultural em Fortaleza).

Entre 1896 e 1912, o comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly governou o Estado de forma autoritária e monolítica. Seu mandato ficou conhecido como a “Política Aciolina” que deu início ao surgimento de diversos movimentos messiânicos, alguns deles liderados por Antônio Conselheiro, Padre Ibiapina, Padre Cícero e o beato Zé Lourenço. Os movimentos foram uma forma que a população encontrou de fugir da miséria a qual se encontrava a região. Foi também nessa época que surgiu o movimento do cangaço, liderado por Lampião.

Nos anos 30, cerca de 3 mil pessoas se reuniram, sob a liderança do beato Zé Lourenço, na região no sítio Baixa Danta, em Juazeiro do Norte. O sítio prosperou e desagradou a elite cearense. Em setembro de 1936, a comunidade foi dispersa e o sítio incendiado e bombardeado. O beato e seus seguidores rumaram para uma nova comunidade. Alguns moradores resolveram se vingar e preparam uma emboscada, que culminou num verdadeiro massacre. O episódio ficou conhecido como “Caldeirão”.

Nos anos 40, com a Segunda Guerra Mundial, foi montado uma base norte-americana no Ceará mudando os costumes da população, que passou a realizar diversos manifestos contra o nazismo. Também na mesma década, o governo, afim de estimular a migração dos sertanejos para a Amazônia realizou uma intensa propaganda. Esse contingente formou o “Exército da Borracha”, que trabalharam na exploração do látex das seringüeiras. Milhares de cearenses migraram para o Norte e acabaram morrendo no combate entre Estados Unidos e Aliados com os exércitos do Eixo, sem os seringais da Ásia para abastecê-los.
Fontes:

sábado, 31 de julho de 2010

Um resumo da história cearense


A produção historiográfica da América - latina é eurocêntrica e ocidentalizaste, logo com o Brasil não seria diferente. Já que a história da conquista, da dominação e do expansionismo lusitano é construída com esta visão européia, ganhando até a expressão “Descobrimento do Brasil”, pois nega a historicidade do povo ameríndio. A Etno-história é uma ferramenta muito importante para exorcizarmos esta visão eurocêntrica da história do Brasil e podermos entender a origem não só dos ameríndios do Ceará, mas de todo o Brasil, e só através da etno-história poderemos montar o quebra-cabeça para termos condições de construímos a historiografia do Ceará colonial.

Além dessa visão eurocêntrica que tem um caráter fortemente ideológico e dominador, a versão oficial que atribui o descobrimento a Cabral está errada. O primeiro europeu a chegar ao Novo Mundo-Brasil foi o espanhol Vicente Pinzón que aportou no litoral cearense de Santa Maria de La Consolación (Mucuripe) na manhã do dia 26 de janeiro de 1500. Pinzón não é considerado o descobridor porque esta terra pertencia a Portugal conforme os termos do Tratado de Tordesilhas. - A origem do nome Ceará é imprecisa. No início era escrito com “s”: Siará, Seara, Ciará e Ceará, com diferentes significados conforme os diversos autores: “cantar forte”, “canto da jandaia”, “pequeno periquito”, “abundância de caça”, “caranguejo branco” ou uma variação de Saara (deserto africano). - Antônio Cardoso de Barros, donatário da capitania, não tomou posse da terra. O Siará Grande só começou a ser conquistada pelos portugueses no início do século XVII, com a bandeira de Pero Coelho( Forte de São Tiago, na Barra do Ceará) e com a missão catequética dos padres Francisco Pinto e Luis Figueira. Ambos fracassaram.

O mito fundador do Ceará foi formulado pelo romancista José de Alencar que atribuiu a conquista do território a um ato de amor entre a índia Iracema e o guerreiro branco Martim, pais do primeiro cearense , Moacir – o filho da dor. O guerreiro branco era Martim Soares Moreno que edificou na barra do rio Ceará o Forte de São Sebastião e é considerado pelos escritores românticos o “fundador do Ceará”. - Os holandeses invadiram o Ceará duas vezes; na segunda em 1649, levantaram na embocadura do rio Pajeú (enseada do Mucuripe) uma fortificação, a que deram o nome de Schoonenborch. A expedição saiu do Recife com o comando de Matias Beck, "a serviço da pátria e da Companhia das índias Ocidentais", pretendia encontrar prata no Monte Itarema, em Maranguape. O forte foi o centro das atividades militares e de exploração. Em 1654 os holandeses foram derrotados e entregaram o forte aos portugueses, que o reformaram (substituindo a construção de madeira por alvenaria) e dele fizeram quartel e sede do governo da capitania, com o novo nome de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, berço da atual capital cearense. Entre 1621-56 o Ceará ficou submisso ao Maranhão. De 1656-1799 permaneceu na dependência de Pernambuco, o que dificultou o desenvolvimento local- Portugal ordenou o estabelecimento da primeira vila do Ceará em 1699 -a de São José de Ribamar-, que por anos se deslocou entre a Barra do Ceará, o Forte de Nossa Senhora de Assunção e Aquiraz, e só ficou definitivamente nesta localidade em 1713.

Fortaleza somente foi elevada à categoria de vila e capital em 1726 e não apresentou até a 2ª metade do século XIX, maior importância econômica-política. Em 1736, Icó foi elevada à condição de vila, a primeira do interior; Aracati alcançou a categoria de vila em 1748; Sobral, em 1773. - Os Jesuítas buscaram catequizar os índios nos aldeamentos que deram origem a vários núcleos urbanos da atualidade, como Viçosa do Ceará, Caucaia, Parangaba, Messejana, Barbalha e Baturité, entre outros. - Na economia o Ceará foi outro Nordeste, sem a riqueza da cana-de-açúcar ou o esplendor do pau-brasil. A ocupação econômica do sertão ocorreu com o avanço da pecuária conduzido por aventureiros atraídos pelos excelentes pastagens e do bom clima dos sertões. À proporção que conquistavam terreno, instalavam currais para nuclear os rebanhos que conduziam, e, sem demora, oficializavam suas conquistas com a obtenção de datas ou sesmarias. O avanço da pecuária levou a expulsão dos índios na “guerra dos bárbaros”. Alguns silvícolas foram domesticados e aproveitados no trabalho como vaqueiro, recebedores da remuneração em forma de quarta. A produção no séc. XVII de charque (Carne seca) foi um dos fatores para o crescimento de Aracati, tida como o “pulmão da economia cearense”. Sobral( “princesa da zona norte”)e Icó também merecem destaque na chamada “Civilização do Couro”.

A Revolta dos Padres ocorreu em 1817 em Pernambuco. Foi um movimento emancipacionista liberal e republicano. No Ceará apenas a vila do Crato, com a família Alencar, aderiu a revolta que foi sufocada e Bárbara de Alencar se tornou a primeira mulher presa por razões políticas na história do Brasil. - As províncias do Grão-Pará, Cisplatina,Bahia, Piauí e Maranhão não aceitaram a independência do Brasil.Nas duas províncias do nordeste as tropas portuguesas eram comandadas por Cunha Fidié. O Ceará teve decisiva participação na campanha contra o comandante português. Um exército improvisado, de mais de seis mil homens, sob as ordens de Pereira Figueiras e Tristão Gonçalves, enfrentou o inimigo em Caxias e fê-lo capitular , a 1º de agosto de 1823.

O Ceará participou da Confederação do Equador(1824), movimento separatista, liberal e republicano contra o absolutismo de D. Pedro I que outorgou a Constituição de 1824. Os principais líderes—Tristão Gonçalves, Pereira Figueiras, Pessoa Anta, Padre Mororó, entre outros,acabam mortos com o fracasso da revolta. - Em 1831, com a abdicação de Pedro I, O monarquista, coronel de Jardim, Pinto Madeira iniciou uma guerra civil no Ceará contra os liberais do Crato pela hegemonia do Cariri.Os jagunços que lutaram de ambos os lados mal sabiam as razões da guerra dos coronéis. Pinto Madeira foi derrotado, julgado e fuzilado em 1834.

Em 1840, ocorreu a Revolução de Sobral—conservadores tentaram assassinar o presidente liberal da província, senador Alencar. Este, porém, derrotou os inimigos. - O Ceará anuncia oficialmente a extinção da escravidão negra em seu território, sendo pioneiro no Brasil, em 1884.

Nessa campanha abolicionista, destaca-se Francisco José do Nascimento, o “Dragão do Mar”. O pioneirismo cearense deveu-se ao pouco peso do braço escravo na economia local, ao aumento do tráfico interprovincial de escravos, a resistência negra, ao movimento abolicionista e a seca de 1977 que arruinou a economia cearense. Francisco José do Nascimento: o “Dragão do Mar” – líder abolicionista- O plantio do algodão, voltado para o mercado externo, foi favorecido pela Revolução Industrial inglesa, Independência dos Estados Unidos e teve o apogeu com a Guerra da Secessão americana. Fortaleza,capital e cidade coletora e exportadora do algodão, teve importantes beneficiamentos. São dessa época: ruas calçadas e iluminadas a gás, rede ferroviária, telefones, lojas bem montadas, bons educandários. Chegavam as idéias novas com a “Academia Francesa” e os jornais cearenses se caracterizaram pelo espírito polêmico. Fortaleza assumiu a condição de principal cidade do Ceará, cresceu e se “aformoseou”, imitando os padrões parisienses, era a época do “Belle Epoque”.

A Padaria Espiritual se destacou entre os vários grupos intelectuais cearenses do final do século XIX . Fundada por Antônio Sales, os padeiros se reuniam no Café Java na Praça do Ferreira e agitaram a cultura local com humor e ironia. - O povo cearense assistiu bestializada a proclamação da República. Gerônimo Jardim, o último presidente monarquista, foi deposto e assumiu o poder Luiz Ferraz que faleceu em 1891.O novo governador João Cordeiro, afastado pelo deodorista Clarindo de Queiroz. Este foi deposto por uma revolta, ascendendo ao poder o grupo político do ex-monarquista e republicano “de véspera” Nogueira Accioly. - A oligarquia comandada por Nogueira Accioly dominou o Ceará de 1896 a 1912 com características de nepotismo (emprego de parentes nos cargos públicos), despotismo, corrupção e natureza monolítica. As razões da hegemonia aciolina devem ser buscadas na adesão à Política dos Governadores, violência contra a oposição, apoio dos latifundiários do interior do estado com destaque para o “pacto dos coronéis” articulado pelo padre Cícero Romão. A queda de Nogueira Accioly, apelidado de “babaquara”, ocorreu após uma revolta popular em Fortaleza e está ligada à “Política das Salvações” do presidente Hermes da Fonseca. As oposições comandadas por Franco Rabelo derrubaram Accioly, mas não alteraram o sistema oligárquico-clientelista. Apesar disso, o povo comemorou nas ruas de Fortaleza a queda do oligarca.

A Sedição de Juazeiro foi a deposição do salvacionista Franco Rabelo em 1914 pelos romeiros e sertanejos coaptados e comandados por Floro Bartolomeu, este aliado político e acessor do Padre Cícero, por motivos inerentes a conjuntura política caririense da época, Pe. Cícero aliou-se a oligarquia aciolista. O temor da Igreja Católica conservadora com o crescimento de uma igreja de vanguarda e popular de valorização dos pobres e excluídos produziu a questão religiosa de Juazeiro que se agravou ainda mais com o “milagre da hóstia” que virou sangue na boca da beata Maria de Araújo. O Bispo D. Joaquim não reconheceu este suposto milagre. Cícero morreu em 1934, excomungado pela Igreja Católica. Hoje há um intenso movimento dentro da Igreja por sua reabilitação. Para o povo do sertão, o Padre Cícero Romão Batista já é um “santo” e foi escolhido recentemente em votação popular o “cearense do século”.

Prof. José Cícero


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Siará


História do Ceará

A história do Ceará tem início com a criação da "Capitania do Siará", O atual nome Ceará vem da palavra tupi que significa canto da jandaia, uma espécie de pequeno papagaio grasnador que se encontra na listra de espécie em via de extinção. Segundo registro do governo colonial português a Coroa concede a capitania do Siará a Antonio Cardoso de Barros em 1535. Uma expedição comandada pelo açoriano Pêro Coelho de Souza fundou na região, a colônia denominada Nova Luzitânia em 1603. Juntamente com o grupo, chegou também um rapaz de 17 anos, Martim Soares Moreno, considerado o verdadeiro fundador do Ceará. Conhecedor da língua e dos costumes indígenas, mantinha amizade fraternal com os nativos, o que lhe valeu fundamental apoio para a derrocada dos franceses e holandeses que também pretendiam colonizar a região. Em 1619, depois de muitas lutas contra invasores estrangeiros, naufrágios e prisões, Soares Moreno obteve uma carta régia que lhe dava o título de Senhor da Capitania do Ceará, lá se fixando por muitos anos. Seu romance com a índia Iracema foi imortalizado pelo escritor brasileiro José de Alencar, em seu livro intitulado "Iracema".

No Ceará, a ocupação se deu a partir de duas rotas distintas: uma pela costa litorânea, saindo de Pernambuco em direção ao Maranhão e Pará, e a outra pelo interior, vinda da Bahia e de Pernambuco, compreendendo a área que vai do médio São Francisco até o rio Parnaíba, nos limites do Piauí e Maranhão. O Sertão cearense foi ocupado através da pecuária extensiva. Seu principal agente - o vaqueiro - correu caatinga a dentro para formar um pequeno rebanho e estabelecer-se.

O Ceará fez parte do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1621. Foi ainda invadido duas vezes, em 1637 e 1649, pelos holandeses que ocupavam a região onde hoje se encontra o Estado de Pernambuco, mantendo-se a ele subordinado até conquistar sua autonomia, em 1799. O desenvolvimento da pecuária em Pernambuco e na Bahia levou criadores a ocuparem o interior do Ceará. As vilas foram se formando junto às grandes fazendas ou nos pontos de descanso das tropas vindas do sul.

A historiografia clássica já demonstrou que a economia pastoril colonial do Ceará significou a presença dominante de homens livres entre os vaqueiros e seus auxiliares, na sua maior parte indígenas. Daí a presença predominante da cultura indígena na nossa formação.

Com a entrada do algodão no circuito exportador (entre 1780 e 1820), as mudanças na estrutura social do sertão se aceleram. No Ceará, algodão e gado não se colocavam como atividades excludentes. Pelo contrário. Eles passam a ser o binômio determinante no nosso sertão.

Em 1824, o Ceará participou da Confederação do Equador, juntamente com os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Os principais confederados se encontravam na região do Cariri Cearense. Ali viveu na cidade do Crato a heroína Bárbara Pereira de Alencar, sem dúvida, esta pernambucana de nascimento e cearense de coração é um dos maiores símbolos da mulher caririense. Guerreira, idealista, líder da revolução de 1817 no Cariri.

O Estado começou a se desenvolver na segunda metade do século XIX, com a chegada da navegação a vapor, das estradas de ferro, da iluminação a gás e do telefone. Foi a primeira província brasileira a libertar seus escravos por motivos que nos obrigam a desmistificar os relatos historiográficos de cunho positivista e liberal, de uma abolição “precoce” (1884), e também uma das primeiras províncias a aderir à República.

Na virada deste século, o espaço cearense estava já nitidamente circunscrito: sertão do gado e do algodão, Fortaleza litoral, entreposto comercial. Neste quase cem anos que se seguiram, o sentimento coletivo criou uma espécie de nação cearense, com civilização e cultura próprias, seus artistas e seus sábios, cujas obras no todo refletem a geografia física e social deste pedaço do Brasil.

Cícero

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Crato



1. HISTÓRIA DO CRATO

O Crato é uma cidade pacata situada na região do Cariri, mais precisamente ao sul do Ceará, ao sopé da Serra do Araripe. Berço da tribo Cariri, índios que habitaram a localidade durante muito tempo. Esta é basicamente a informação que a maioria das pessoas têm a respeito da história do município. Porém, iremos mostrar mais detalhadamente os fatos que marcaram época e os cidadãos ilustres que dedicaram sua vida ao bem estar da comunidade cratense e ao desenvolvimento do seu povo. Buscando conhecer um pouco mais acerca de nossas raízes nos surpreendemos com a beleza e a riqueza dos acontecimentos. Expomos aqui um resumo que pode ser de muita ajuda para aqueles que por ventura possam se interessar pelo assunto.

A região era uma aldeia habitada pelos índios Cariris, um povo pacato, característica que os batizou com esse nome porque no falar de Porto Seguro, Kiriri significa: Calado, tristonho, sincero. Irineu Pinheiro em sua obra O Cariri diz que a palavra Cariri é oriunda de CAA (Mato) e IRA (Mel), ou CAI (Queimado), IRA (Mel) ou RIRÊ (Depois que).
A tribo subdividia-se em grupos de diversas denominações, de acordo com os dialetos falados: Quixeréus, curianêses, Calabaças, Cariús, Tremembés, Pacajus, Icós, Cariris, Carirés, Jucás, Jenipapos, Jandaias, Sucurus, Garanhuns, Chocos, Fulniês, Acenas e Romaria. Qualquer índio da região era conhecido como Cariús, por ser a maior tribo existente na época.
Os índios Cariris eram originários da Ásia e chegaram ao novo mundo pelos rios Amazonas e Tocantins. Dois tipos étnicos chegaram à América no período neolítico: os Sudésticos e os Brasilídios, a procura de um lugar que lhes dessem melhores condições de vida. Os Brasilídios geraram 12 tribos que se espalharam e povoaram quase que completamente o continente sul americano. Expulsos pelos Tupiniquins e tupinambás abrigaram-se à sombra das matas da Borborema, dos Cariris velhos e novos, fixaram-se no leito de alguns rios como: Jaguaribe, Acaraú, Assú e Apodi, etc.

Alguns prosseguiram a sua migração que só foram detidos pelas águas caudais do Rio São Francisco, difícil de serem transpostas e então asenhoraram-se da vasta região que compreende este rio.
Uma dessas tribos foi a nação Cariri que chegou ao sul do Ceará nos séculos IX e X da era Cristã em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, de onde pudesse retirar o sustento da família e conseqüentemente melhor a qualidade de vida. Encontraram no Cariri, mais precisamente no Crato, o ambiente propício às suas aspirações; com suas fontes e riquezas naturais a região propiciou-lhes uma vida fácil e primitiva, retirando da natureza, em abundância, uma diversidade de alimentos como macaúba, babaçu, piqui e araçá, dentre outros. Dedicaram-se ainda ao plantio da mandioca, do milho e do algodão. A caça e a pesca farta nas matas e rios fazia do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias puderam viver em paz durante muito tempo.
A vida na tribo era tranqüila. Suas residências eram construídas com a palha da palmeira. Usavam utensílios feitos de forma artesanal como cabaças, cuias e coités. Fabricavam seus utensílios domésticos . Dentre eles destacamos o pilão de socar, a arupemba, o abano, esteiras de palha de palmeira e artigos feitos em cerâmica como vasos, pratos e panelas onde podiam fazer seus cozidos provenientes da farinha de mandioca, (produzida em estilo rudimentar, em casas de farinhas primitivas). e do milho. O bejú, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscuz e muitas outras receitas nutritivas vieram dos nossos antepassados indígenas. A maioria destes costumes, comidas e ambientes foram e são utilizados pelas comunidades, até mesmo nos nossos dias.

Nos séculos XVII e XVIII, na Serra do Araripe, os índios cariris foram descobertos pelos povoadores do ´Ciclo do Couro` de Sergipe, Pernambuco e possivelmente da Torre da Bahia. Missões Indígenas espalhados pelos Sertões Pernambucanos catequizaram e civilizarão a tribo Cariri. Documentos antigos relatam a presença dos missionários na região à partir de 1730. È aí que se inicia a história do Crato.

Texto: Evandro Rodrigues de Deus
Assessoria de Imprensa

2. HISTÓRIA DA CIDADE DO CRATO

A cidade do Crato, inicialmente chamada de Missão do Miranda, resultou de um movimento missionário dos Freis Capuchinhos de Recife, cujo objetivo era catequizar e civilizar os povos indígenas. Frei Carlos Maria de Ferrara, frade franciscano, italiano da ordem dos capuchinhos foi enviado para a missão afim de trabalhar com os índios da Tribo Cariri. Cumpriu sua tarefa no período de 1730 à 1750. A igreja católica foi peça fundamental nos primórdios de Criação e desenvolvimento desta cidade, acelerada com a chegada de imigrantes da “ civilização do Couro”, vindos da Bahia, Sergipe e Pernambuco.

Em 03 de Dezembro de 1743, quando a Missão e o aldeamento já se encontravam em plena atividade, o capitão-mor Domingos Alves de Matos e sua mulher, assinaram a escritura de doação das terras para os índios. Ainda neste século, os índios foram manifestando hábitos acentuados de vida social disciplinada e foram reconhecidos como capazes de associar-se a brancos na administração do povoado. Desse modo o ouvidor do Ceará, Vitorino Pinto Soares Barbosa, conferiu personalidade política à povoação de Frei Carlos, atribuindo-lhes os foros de Vila em 21 de Junho de 1764. Nomeado Crato, pela Secretaria de Negócios ultramarinos, em homenagem à homonímia cidade portuguesa de Alentejo, obedecendo a determinação da metrópole que dava poderes ao ouvidor para fundar novas vilas no Ceará, com a recomendação de aplicar-lhes nomes de localidade lusitana.
O Capitão Francisco Gomes de Melo e o índio José Amorim foram os dois primeiros juízes ordinários nomeados. Isto provava que os índios tornavam-se aptos à colaborar na administração pública da vila, que já completara 25 anos. Foi fundado, então, um Corpo de Cavalaria sob o comando do Coronel Antônio Lopes de Andrade. Assim evoluiu no campo político a vila de Frei Carlos, elevada a categoria de cidade pela Lei Provincial nº 628, de 17 de Outubro de 1853.

O aumento abusivo dos impostos e da dominação política exercida pela Coroa Portuguesa no país, gerou insatisfação das províncias. Estas organizaram um movimento contra Dom Pedro I. A Revolução Pernambucana de 1817 lutava pela Independência do Brasil de Portugal. O ato espalhou-se por todo o Nordeste e chegou ao Crato. José Martiniano, após missa no púlpito da igreja da Sé catedral, proclamou a independência do Brasil no dia 03 de Maio de 1817. Foi apoiado por sua mãe; Bárbara de Alencar, e pelo irmão Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, que tinham ideais republicanos. Esta atitude deixou muitas personalidades influentes da época insatisfeitas; dentre elas Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante latifundiário da região, católico e cheio de ideais monárquicos; mandou prende-los. Tristão Gonçalves,Bárbara de Alencar (aos 57 anos de idade) e José Martiniano são encontrados e presos em Jardim, em 05 de maio de 1817, pelo Capitão Mor José Pereira Filgueira, quando buscavam apoio do tio Leonel Pereira de Alencar, para a causa republicana. Enviados às masmorras de Fortaleza, depois para Salvador e Recife onde foram humilhados e torturados. Posteriormente receberam anistia da coroa e foram soltos.
Os presos políticos foram denominados de “Infames Cabeças”. Enviados para Icó, no Ceará, em seguida para Fortaleza; de lá transferidos para Recife, em Pernambuco e finalmente para a Bahia. Dentre eles estava D. Bárbara, a primeira mulher presa por motivos políticos no Brasil. Durante os três anos e meio que passou na prisão, D. Bárbara foi afastada de sua família, tratada com crueldade e submetida a diversos tipos de humilhações, porém nunca desistiu de seus ideais. Foi libertada em 1820. Veio à óbito em 1832, aos 72 anos, .em na fazenda Touro, no Piauí.

Em 1824 Tristão Gonçalves, aderiu ao movimento da Confederação do Equador e foi aclamado pelos rebeldes presidente da Província do Ceará. Faleceu em combate com as forças contrárias ao movimento em 31 de outubro de 1825.
O Crato ficou dividido entre monarquista e republicanos. Merece destaque o monarquista que ordenou a prisão dos revolucionários: Capitão Joaquim Pinto Madeira, chefe político da Vila de Jardim. Com a renúncia de D. Pedro I em 07 de Abril de 1831, inimigos da monarquia aproveitaram para se vingar de Pinto Madeira, que, na ocasião, armou dois mil Jagunços, com ajuda do vigário de Jardim, Antônio Manuel de Sousa e invadiu o Crato em 1832. Sua tropa Começou vencendo a batalha, porém sucumbiu. Pinto Madeira e Padre Antonio foram presos e Enviados à Recife e ao Maranhão. Em 1834 Pinto Madeira foi condenado a forca, em Crato. Porém, alegando patente de coronel, morreu fuzilado.
Fechando um parêntese da história do cariri, faleceu em 15 de março de 1860, o Senador José Martiniano de Alencar, sem nunca ter desistido de lutar pelas causas republicanas .
Houveram muitos acontecimentos marcantes que marcaram a história do Crato. Dentre eles encontramos a saga do Caldeirão e do Beato José Lourenço. Mas esta já é uma outra história...

em 11 de Setembro de 1636, de um grande massacre no da Comunidade do CALDEIRÃO DO BEATO JOSÉ LOURENÇO, ou irmandade de Santa Cruz, onde foram mortos pelos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) cerca de 700 pessoas somente pelo motivo de viverem um tipo de sociedade igualitária auto-sustentável (em moldes socialistas), o que gerou nos grandes coronéis, no clero e nos grupos sociais conservadores um sentimento de medo e de inveja pela perda de mão de obra barata e seu modo de vida uma ameaça para a sociedade conservadora da época.

Bibliografia:

• A CIDADE DE FREI CRALOS, Pe. Antônio Gomes de Araújo, 1971. Crato-ce.
• Revista Itaytera 1995.

Sítios:
• pt.wikipedia.org/wiki/Crato
• http://www.crato.ce.gov.br/2007/?op=paginas&tipo=pagina&sessao=208&pagina=456

domingo, 23 de novembro de 2008

Quando tudo começou


Do ponto de vista lusitano, os primeiros europeus a pisarem em solo brasileiro foram portugueses liderados por Pedro Álveres Cabral 22 de abril de 1500 no litoral baiano no atual Município de Porto Seguro, esta se tornou a versão oficial. Mas há controversas, segundo o jornalista cearense e amante da história, a expedição do espanhol Vicente Yáñés Pinzón desembarcou com seus marujos na praia cearense do cabo identificado como o da Ponta Mucuripe, antes de Cabral chegar ao Brasil. Este fato se dar em 26 de janeiro de 1500.A primeira expedição liderada por Pinzón e por Diogo Lepe, esta segunda, desembarca na Barra do Ceará, em Fortaleza. Tais descobrimentos não puderam ser oficializados devido ao Tratado de Tordesilhas que já estava em vigência a seis anos, desde 1494. E segundo este tratado esta parte do Novo Mundo já pertencia a Portugal. A primeira tentativa de ocupação do território cearense só se deu 103 anos após Cabral dembarcar na baia Cabrálica em Porto Seguro na Bahia em 1603 com a bandeira de Pero Coelho de Souza que fundou o Forte de São Tiago, na Barra do Ceará. A posse oficial do Ceará deu-se com Martins Soares Moreno, (o Guerreiro Branco), que aqui chegou em 20 de janeiro de 1612 e fundou o forte de São Sebastião, no antigo local onde fora erguido o Forte de São Tiago. Em 1637 chegam os holandeses que domina durante sete anos. Em 1644 foram expulsos pelos índios com a destruição do Forte de São Sebastião. Após cinco anos de sua retirada os holandeses voltaram ao Ceará comandados por Matias Beck, na ocasião em que ergueram o Forte Shoonemborch, às margens do Rio Pajeú, de onde se originou a cidade de Fortaleza. A explusão definitiva dos holandeses ocorreu em 1654 pelo comandante português Álvaro de Azevedo Barreto, que muda o nome do Forte para Nossa Senhora da Assunção. A criação do município de Fortaleza se deu a 13 de abril de 1726, quando a povoação do Forte foi levada à condição de vila. Somente em 1823 o Imperador Dom Pedro I elevou a vila à categoria de cidade. Durante o Segundo Império, o Intendente Antônio Rodrigues Ferreira e o Arquiteto Adolfo Hebster realizaram obras urbanísticas transformando Fortaleza em uma das principais cidades do país. Atualmente, o Estado do Ceará é composto por 184 municípios com autonomia político-administrativa. A história de Fortaleza se confunde largamente com a história do Ceará, terra de índios dos troncos tupi (tabajaras, parangabas, parnamirins, paupinas, caucaias, potiguaras, paiacus, tapebas) e jê (tremembés, guanacés, jaguaruanas, canindés, genipapos, baturités, icós, chocós, quiripaus, cariris, jucás, quixelôs, inhamuns), os quais, embora dizimados em grande parte, fazem sua cultura estar presente até a atualidade, em hábitos, comida, medicina e arte populares, nomes, vocabulário e etnia. Foi em 1884 que se fez a abolição da escravatura no Ceará, quatro anos antes do dia 13 de maio da abolição brasileira. Este fato lhe valeu o nome dado por José do Patrocínio de Terra da Luz, e fez aumentar os ânimos de todos os abolicionistas do Brasil. Até Victor Hugo mandou da França suas saudações aos cearenses. Provavelmente, foi Américo Vespúcio o primeiro europeu a passar ao longo da costa cearense, em meados de 1499, quando percorria todo o litoral norte do Brasil, a partir do cabo Santo agostinho no Rio Grande do Norte. Dois meses antes de Pedro Álvares Cabral partir de Lisboa, o navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón, num roteiro semelhante a Américo Vespúcio, desembarcou no litoral cearense, no cabo do Mucuripe em Fortaleza, conforme alguns, ou no cabo de Ponta Grossa em Aracati, conforme outros. Na primeira década, após o descobrimento do Brasil, o Ceará estava exposto à sorte de piratas franceses, e continuando sob domínio dos nativos, tupis à beira-mar e jés ( ou tapuias) no interior. Em 1534, a coroa portuguesa, no intuito de marcar o domínio das terras descobertas, implantou o sistema de capitanias no Brasil, e em 1535 concedeu a Antônio Cardoso de Barros a Capitania do Siará, que nunca se importou em tomar posse desse feudo. No entanto, desempenhou na Bahia o cargo de provedor-mor e, em 1556, ao retornar para Portugal, teve a mal sorte do navio naufragar nas costas de Alagoas e ser devorado pelos índios, junto com o bispo D. Pero Fernandes Sardinha. O Ceará voltou a entrar na história em 1603, em pleno domínio espanhol de Felipe III, quando Pero Coelho de Sousa obteve do governador geral Diogo Botelho a permissão de colonizar o Siará Grande, partindo do Rio Grande do Norte. Chamou a colônia de Nova Lusitânia e o arraial projetado na foz do rio Ceará de Nova Lisboa, a atual região da Barra do Ceará. Aventurou-se com seus soldados e ajuda de índios tabajaras e potiguaras sertão adentro e enfrentou os franceses liderados por Adolphe Membille que, a partir do Maranhão invadiram o sul. Deteve-os às margens do rio Parnaíba. Por falta de recursos e a primeiraforte seca, de que se tem notícia nesta região, retirou-se em 1607 para a Parraíba. No mesmo ano, os padres Francisco Pinto e Luís Filgueiras iniciaram seus trabalhos de catequese dos índios na região, com relativo sucesso. Na trilha de Pero Coelho de Sousa atravessaram o território de leste a oeste, até chegarem à serra da Ibiapaba, onde fundaram um povoado, logo atacado por índios tocarijus, morrendo Francisco Pinto a tacape. Luís Filgueiras, junto com um punhado de índios fiéis, retirou-se para as proximidades da foz do rio Ceará, fundando outro povoado, o de São Lourenço. Temendo a agressão de índios, no entanto, em agosto de 1608 se retira, para retornar a Pernambuco, e mais tarde, após naufrágio na ilha de Marajó, foi outro devorado a ser devorado pelos nativos. É Martins Soares Moreno que pode ser considerado o verdadeiro fundador do Ceará. Jovem soldado sob ordens de Pero Coelho de Sousa, destacou-se pela amizade que matinha com os índios, imitando seus costumes. Chegou de volta ao Ceará no início de 1612, em companhia do padre Baltazar João Correia e seis soldados construiu um pequeno forte, chamado de São Sebastião, novamente, na foz do rio Ceará. Após combates com os franceses no Maranhão e tentativas rechaçadas de invasão dos holandeses, foi a Portugal e obteve em 1619 a carta régia como senhor da Capitania do Siará, aonde voltou em 1621, para fixar-se por vários anos, consolidando e fazendo florescer sua capitania. Os amores de Martins Soares Moreno por uma índia, serviram de tema para o romance Iracema, de José de Alencar, escritor cearense. Os holandeses de pernambuco, que já tinham colocado sob seu domínio as regiões até o Rio Grande do Norte, em 1637 desembarcaram no Mucuripe (atual região do porto de Fortaleza), sediando e tomando o forte na foz do rio Ceará, do qual foram expulsos pelos próprios índios em 1644. Voltaram em 1649 sob ordens de Matias Beck. Construíram na enseada do Mucuripe, junto ao rio Pajeú, uma fortificação, à qual deram o nome de Schoonenborch, em homenagem ao seu governador em Pernambuco. O forte tornou-se centro de atividades miiltares e dos trabalhos de exploração das minas de prata na serra de Maranguape. Em 1654, no entanto, os holandeses foram expulsos do Brasil pelos portugueses e, assim, também entregaram o forte a eles, mudando o nome, na época em que o português Álvaro de Azevedo Barreto foi capitão-mor do Ceará, para Fortaleza da Nossa Senhora da Assunção, dando origem ao futuro nome da capital cearense. O forte, construído em madeira, se manteve, de reforma, até 1812, quando outro, de alvenaria, o substituiu. O povoado que começou a florescer em volta, se desenvolveu gradativamente para a cidade de Fortaleza. A vila de Fortaleza foi instalada em abril de 1726 e tornou-se cidade, por ordem régia, em 17 de março de 1823, com o nome de Fortaleza de Nova Bragança. Nessa primeira fase da história cearense, o pouco desenvolvimento regional se manteve na orla marítima, baseado no plantio da cana-de-açúcar. Porém, informados das excelentes pastagens e do bom clima dos sertões do Ceará, aventureiros de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia começaram a ocupar os espaços, expulsando os índios ou, quando possível, domesticando-os para o trabalho, instalando currais, logo oficializado como sesmarias. Assim, a partir da última década do século XVII, durante aproximadamente quarenta anos, acelerou-se a interiorização, a aprtir duma economia essencialmente pecuarista. Os currais se transformaram gradativamente em fazendas. O boi virou grande moeda da época, garantindo a alimentação e subprodutos baseados no seu couro, como roupa, sapato, chapéu, gibão e perneira. Os rebanhos eram objeto de largo comércio com Pernambuco, de onde vinham tecidos, louças, ferramentas e outras utilidades indispensáveis para a vida nas fazendas. Mais tarde em vez de transportar o boi pelas suas próprias pernas, a experiência demonstrou ser mais fácil abatê-lo no seu lugar de origem, salgar-lhe a carne e transportá-lo para os centros de consumo, originando, assim, um intensivo comércio com a zona açucareira de Pernambuco. O boi era transportado para as cidades portuárias, abatido, salgado e despachado, transformando os portos de Aracati, Acaraú e Camocim nos principais da região. Este processo da carne charqueada manteve-se florescente no Ceará, até a grande seca no final do século XVIII, quando os rebanhos se aniquilaram, em conseqüência de três anos de ausência de chuvas. Assim , o Ceará, voltado para a pecuária e agricultura de subsistência, sem grandes plantações de açúcar, ouro e outras riquezas de seu tempo, atravessou obscuramente a época da colonização, encerrando sua Segunda fase histórica, dependendo sucessivamente do Maranhão, Pará e Pernambuco. Somente em 1799, o rei nomeou o primeiro governador, Bernardo Manuel de Vasconcelos, que instalou a capital em Aquiraz, transferida em 1810 para Fortaleza. Outras vilas, no entanto, começaram a se formar junto às fazendas e encruzilhadas no interior. Uma das regiões mais prósperas se tornou o Cariri, tendo como centro a vila do Crato, fundada por uma missão franciscana. Icó prosperou como entreposto comercial, entre o Cariri e o litoral. Aracati era porto de mar, por onde se exportava o couro e o charque. Nesta época também, e na sucessão dos próximos governadores, iniciou o comércio direto com a Europa, que antes era canalizado exclusivamente pelo porto de Recife, fato que intensificou a exportação de produtos locais. O algodão começou a fazer parte da riqueza geral e, até recentemente, de excelente qualidade, disputava os mercados europeus, tendo sido o principal produto de exportação do Ceará. Com o franqueamento dos portos brasileiros em 1808, reforçaram-se as trocas com o Reino Unido e, a seguir, com os Estados Unidos e Portugal.