quinta-feira, 11 de março de 2010

Confederação dos Cariris



Confederação dos Cariris, também chamada de "Guerra dos Bárbaros", foi um movimento de resistência de indígenas brasileiros da nação Cariri (ou Kiriri) à dominação portuguesa, ocorrido entre 1683 e 1713.

Índice
1 Os Cariris
2 Origens da Confederação
3 A Guerra dos Bárbaros
4 Referências


Os Cariris
Os cariris viviam em vastas áreas dispersas entre os rios São Francisco (Bahia) e Parnaíba (Piauí). Supõe-se que tenham migrado do norte, em busca de terras mais adequadas à sua cultura neolítica.

Dentre os povos cariris, destacavam-se:

os Inhamuns - habitantes dos sertões de igual nome
os Cariús - localizados sobretudo na serra do Pereiro e nas terras compreendidas entre os rios Cariús e Bastões
os Crateús - que se localizavam na bacia superior do rio Poti
os Cariris, propriamente ditos - que viviam no extremo sul do Ceará.
Dedicavam-se, entre outras atividade, à colheita do caju, usado como alimento e na fabricação de um vinho denominado "mocororó". Segundo Capistrano de Abreu, o nome "cariri" significa "tristonho, calado, silencioso'. Ele os descreve como "valentes e de terrível resistência, talvez os de mais persistência que os portugueses encontraram".

Origens da Confederação A rigor, embora tenham inicialmente recebido os europeus amistosamente, os indígenas brasileiros jamais aceitaram, sem resistência, a dominação do homem branco, sobretudo a partir da penetração do conquistador no interior do país, na busca de metais preciosos ou na expansão das fazendas pastoris. Esse avanço geralmente se tornava sinônimo de massacre dos nativos, escravização dos sobreviventes, violência sexual e usurpação das terras indígenas. Não menos nefasta, para eles, era a ação dos missionários, cujo processo de catequização os "amansava", destruindo sua cultura e tornando-os submissos ou aparentemente dóceis à dominação.

A resistência dos índios se fazia pela fuga dos aldeamentos missionários (em sua maioria, jesuítas) e de outros tipos de cativeiro, pela defesa das aldeias contra as investidas dos bandeirantes, por ataques a vilas e fazendas, bem como por formas variadas de suicídio, quando aprisionados. Essa resistência, ainda que heróica, mostrou-se infrutífera, não somente face à superioridade militar do homem branco, como também devido à dificuldade dos indígenas de se unirem contra o inimigo comum. Ao contrário, divididos por rivalidades tribais, muitos se prestavam a auxiliar os europeus na luta contra outros indígenas. Nas raras ocasiões em que conseguiram se unir, na forma de confederações, os conquistadores tiveram muito trabalho para dominá-los.

Uma dessas confederações foi a dos cariris, que durou trinta anos, envolvendo nativos principalmente do Ceará, mas também algumas tribos de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Ela foi uma resposta tardia ao avanço de poderosos sesmeiros (como o célebre Garcia d’Ávila, da "Casa da Torre"), que se apossavam de vastos territórios, invadindo terras ocupadas por indígenas e provocando vários conflitos.

A Guerra dos Bárbaros
A história dessa confederação se divide em três fases. A primeira se inicia com uma revolta indígena na região norte-rio-grandense do Açu; a segunda, de maior duração, teve lugar na Paraíba, ao longo de toda a povoação de Bom Sucesso do Piancó; a terceira e derradeira, concentrou-se no Ceará.

A revolta começou com ataques generalizados contra vilas e fazendas, resultando em mortes e destruição de patrimônio. Em face dos pedidos de socorro que lhe chegavam das zonas conflagradas, Manuel da Ressurreição, então no governo-geral do Brasil, decidiu requisitar bandeirantes de São Paulo e de São Vicente, para acabar com a "anarquia".

Mas a presença dos paulistas não debelou a revolta, ao contrário, dilatou-a para outras regiões, provocando a adesão dos Anacés, Jaguaribaras, Acriús, Canindés, Jenipapos, Tremembés e dos Baiacus, que se mostraram os mais terríveis e constantes inimigos dos colonizadores, na zona do baixo Jaguaribe.

A vila do Aquiraz, então sede da Capitania do Ceará, foi atacada, morrendo cerca de 200 pessoas. O resto da população fugiu, defendendo-se como pôde pelo caminho, que se semeou de mortos, indo acolher-se à proteção dos canhões da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, na foz do Riacho Pajeú.

Após anos de luta, entrou em ação o temível regimento de ordenanças do coronel João de Barros Braga. Essa cavalaria, vestida de couro como os vaqueiros e composta de homens conhecedores do terreno em que pisavam, bem como do modo de guerrear dos indígenas, promoveu uma expedição guerreira (1713) que subiu pelo Vale do Jaguaribe ao do Cariri, até os confins piauienses, exterminando todos os indígenas que encontrou pelo caminho, sem distinção de sexo ou idade.

Foi assim que, afogada em um mar de sangue, extinguiu-se a Confederação dos Cariris, um triste episódio da História do Brasil, referido nos livros de História dos vencedores como "Guerra dos Bárbaros".

Referências bibliográfico
Sampaio, Filgueira - "História do Ceará" - Editora do Brasil S.A.
Farias, Aírton de - "História do Ceará - Dos Índios à Geração Cambeba" - Ed. Tropical
Abreu, Capistrano J. - "Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil" - Ed. Itatiaia

terça-feira, 9 de março de 2010

Ceará





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O Ceará é uma das 26 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Nordeste e tem por limites o Oceano Atlântico a norte e nordeste, Rio Grande do Norte e Paraíba a leste, Pernambuco a sul e Piauí a oeste. Sua área total é de 146.348,30 km²,[6] ou 9,37% da área do Nordeste e 1,7% da superfície do Brasil. A população do estado estimada para o ano de 2008 foi de 8.450.527 habitantes, conferindo ao território a oitava colocação entre as unidades federativas mais populosas.
A capital e maior cidade é Fortaleza, sede da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Outras cidades importantes fora da RMF são: Juazeiro do Norte e Crato na Região Metropolitana do Cariri, Sobral na região noroeste, Itapipoca na região norte, Iguatu na região centro-sul e Quixadá no sertão. Ao todo são 184 municípios.
O estado é conhecido nacionalmente pela beleza de seu litoral, pela religiosidade popular e pela imagem de berço de talentos humorísticos. A jangada, ainda comum ao longo da costa, é considerada um dos maiores símbolos do povo e da cultura cearenses. O Ceará concentra 85% de toda caatinga do Brasil, bioma relacionado às estiagens que, aliado a políticas ineficientes, castigam a população do campo, da qual a maioria ainda é pobre.
O Ceará é conhecido como "Terra da Luz", numa referência à grande quantidade de dias ensolarados, mas que também remonta ao fato de o estado ter sido o primeiro da federação a abolir a escravidão, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. Por esse fato, o jornalista José do Patrocínio considerou o estado como "a terra da luz".

domingo, 23 de novembro de 2008

Quando tudo começou


Do ponto de vista lusitano, os primeiros europeus a pisarem em solo brasileiro foram portugueses liderados por Pedro Álveres Cabral 22 de abril de 1500 no litoral baiano no atual Município de Porto Seguro, esta se tornou a versão oficial. Mas há controversas, segundo o jornalista cearense e amante da história, a expedição do espanhol Vicente Yáñés Pinzón desembarcou com seus marujos na praia cearense do cabo identificado como o da Ponta Mucuripe, antes de Cabral chegar ao Brasil. Este fato se dar em 26 de janeiro de 1500.A primeira expedição liderada por Pinzón e por Diogo Lepe, esta segunda, desembarca na Barra do Ceará, em Fortaleza. Tais descobrimentos não puderam ser oficializados devido ao Tratado de Tordesilhas que já estava em vigência a seis anos, desde 1494. E segundo este tratado esta parte do Novo Mundo já pertencia a Portugal. A primeira tentativa de ocupação do território cearense só se deu 103 anos após Cabral dembarcar na baia Cabrálica em Porto Seguro na Bahia em 1603 com a bandeira de Pero Coelho de Souza que fundou o Forte de São Tiago, na Barra do Ceará. A posse oficial do Ceará deu-se com Martins Soares Moreno, (o Guerreiro Branco), que aqui chegou em 20 de janeiro de 1612 e fundou o forte de São Sebastião, no antigo local onde fora erguido o Forte de São Tiago. Em 1637 chegam os holandeses que domina durante sete anos. Em 1644 foram expulsos pelos índios com a destruição do Forte de São Sebastião. Após cinco anos de sua retirada os holandeses voltaram ao Ceará comandados por Matias Beck, na ocasião em que ergueram o Forte Shoonemborch, às margens do Rio Pajeú, de onde se originou a cidade de Fortaleza. A explusão definitiva dos holandeses ocorreu em 1654 pelo comandante português Álvaro de Azevedo Barreto, que muda o nome do Forte para Nossa Senhora da Assunção. A criação do município de Fortaleza se deu a 13 de abril de 1726, quando a povoação do Forte foi levada à condição de vila. Somente em 1823 o Imperador Dom Pedro I elevou a vila à categoria de cidade. Durante o Segundo Império, o Intendente Antônio Rodrigues Ferreira e o Arquiteto Adolfo Hebster realizaram obras urbanísticas transformando Fortaleza em uma das principais cidades do país. Atualmente, o Estado do Ceará é composto por 184 municípios com autonomia político-administrativa. A história de Fortaleza se confunde largamente com a história do Ceará, terra de índios dos troncos tupi (tabajaras, parangabas, parnamirins, paupinas, caucaias, potiguaras, paiacus, tapebas) e jê (tremembés, guanacés, jaguaruanas, canindés, genipapos, baturités, icós, chocós, quiripaus, cariris, jucás, quixelôs, inhamuns), os quais, embora dizimados em grande parte, fazem sua cultura estar presente até a atualidade, em hábitos, comida, medicina e arte populares, nomes, vocabulário e etnia. Foi em 1884 que se fez a abolição da escravatura no Ceará, quatro anos antes do dia 13 de maio da abolição brasileira. Este fato lhe valeu o nome dado por José do Patrocínio de Terra da Luz, e fez aumentar os ânimos de todos os abolicionistas do Brasil. Até Victor Hugo mandou da França suas saudações aos cearenses. Provavelmente, foi Américo Vespúcio o primeiro europeu a passar ao longo da costa cearense, em meados de 1499, quando percorria todo o litoral norte do Brasil, a partir do cabo Santo agostinho no Rio Grande do Norte. Dois meses antes de Pedro Álvares Cabral partir de Lisboa, o navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón, num roteiro semelhante a Américo Vespúcio, desembarcou no litoral cearense, no cabo do Mucuripe em Fortaleza, conforme alguns, ou no cabo de Ponta Grossa em Aracati, conforme outros. Na primeira década, após o descobrimento do Brasil, o Ceará estava exposto à sorte de piratas franceses, e continuando sob domínio dos nativos, tupis à beira-mar e jés ( ou tapuias) no interior. Em 1534, a coroa portuguesa, no intuito de marcar o domínio das terras descobertas, implantou o sistema de capitanias no Brasil, e em 1535 concedeu a Antônio Cardoso de Barros a Capitania do Siará, que nunca se importou em tomar posse desse feudo. No entanto, desempenhou na Bahia o cargo de provedor-mor e, em 1556, ao retornar para Portugal, teve a mal sorte do navio naufragar nas costas de Alagoas e ser devorado pelos índios, junto com o bispo D. Pero Fernandes Sardinha. O Ceará voltou a entrar na história em 1603, em pleno domínio espanhol de Felipe III, quando Pero Coelho de Sousa obteve do governador geral Diogo Botelho a permissão de colonizar o Siará Grande, partindo do Rio Grande do Norte. Chamou a colônia de Nova Lusitânia e o arraial projetado na foz do rio Ceará de Nova Lisboa, a atual região da Barra do Ceará. Aventurou-se com seus soldados e ajuda de índios tabajaras e potiguaras sertão adentro e enfrentou os franceses liderados por Adolphe Membille que, a partir do Maranhão invadiram o sul. Deteve-os às margens do rio Parnaíba. Por falta de recursos e a primeiraforte seca, de que se tem notícia nesta região, retirou-se em 1607 para a Parraíba. No mesmo ano, os padres Francisco Pinto e Luís Filgueiras iniciaram seus trabalhos de catequese dos índios na região, com relativo sucesso. Na trilha de Pero Coelho de Sousa atravessaram o território de leste a oeste, até chegarem à serra da Ibiapaba, onde fundaram um povoado, logo atacado por índios tocarijus, morrendo Francisco Pinto a tacape. Luís Filgueiras, junto com um punhado de índios fiéis, retirou-se para as proximidades da foz do rio Ceará, fundando outro povoado, o de São Lourenço. Temendo a agressão de índios, no entanto, em agosto de 1608 se retira, para retornar a Pernambuco, e mais tarde, após naufrágio na ilha de Marajó, foi outro devorado a ser devorado pelos nativos. É Martins Soares Moreno que pode ser considerado o verdadeiro fundador do Ceará. Jovem soldado sob ordens de Pero Coelho de Sousa, destacou-se pela amizade que matinha com os índios, imitando seus costumes. Chegou de volta ao Ceará no início de 1612, em companhia do padre Baltazar João Correia e seis soldados construiu um pequeno forte, chamado de São Sebastião, novamente, na foz do rio Ceará. Após combates com os franceses no Maranhão e tentativas rechaçadas de invasão dos holandeses, foi a Portugal e obteve em 1619 a carta régia como senhor da Capitania do Siará, aonde voltou em 1621, para fixar-se por vários anos, consolidando e fazendo florescer sua capitania. Os amores de Martins Soares Moreno por uma índia, serviram de tema para o romance Iracema, de José de Alencar, escritor cearense. Os holandeses de pernambuco, que já tinham colocado sob seu domínio as regiões até o Rio Grande do Norte, em 1637 desembarcaram no Mucuripe (atual região do porto de Fortaleza), sediando e tomando o forte na foz do rio Ceará, do qual foram expulsos pelos próprios índios em 1644. Voltaram em 1649 sob ordens de Matias Beck. Construíram na enseada do Mucuripe, junto ao rio Pajeú, uma fortificação, à qual deram o nome de Schoonenborch, em homenagem ao seu governador em Pernambuco. O forte tornou-se centro de atividades miiltares e dos trabalhos de exploração das minas de prata na serra de Maranguape. Em 1654, no entanto, os holandeses foram expulsos do Brasil pelos portugueses e, assim, também entregaram o forte a eles, mudando o nome, na época em que o português Álvaro de Azevedo Barreto foi capitão-mor do Ceará, para Fortaleza da Nossa Senhora da Assunção, dando origem ao futuro nome da capital cearense. O forte, construído em madeira, se manteve, de reforma, até 1812, quando outro, de alvenaria, o substituiu. O povoado que começou a florescer em volta, se desenvolveu gradativamente para a cidade de Fortaleza. A vila de Fortaleza foi instalada em abril de 1726 e tornou-se cidade, por ordem régia, em 17 de março de 1823, com o nome de Fortaleza de Nova Bragança. Nessa primeira fase da história cearense, o pouco desenvolvimento regional se manteve na orla marítima, baseado no plantio da cana-de-açúcar. Porém, informados das excelentes pastagens e do bom clima dos sertões do Ceará, aventureiros de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia começaram a ocupar os espaços, expulsando os índios ou, quando possível, domesticando-os para o trabalho, instalando currais, logo oficializado como sesmarias. Assim, a partir da última década do século XVII, durante aproximadamente quarenta anos, acelerou-se a interiorização, a aprtir duma economia essencialmente pecuarista. Os currais se transformaram gradativamente em fazendas. O boi virou grande moeda da época, garantindo a alimentação e subprodutos baseados no seu couro, como roupa, sapato, chapéu, gibão e perneira. Os rebanhos eram objeto de largo comércio com Pernambuco, de onde vinham tecidos, louças, ferramentas e outras utilidades indispensáveis para a vida nas fazendas. Mais tarde em vez de transportar o boi pelas suas próprias pernas, a experiência demonstrou ser mais fácil abatê-lo no seu lugar de origem, salgar-lhe a carne e transportá-lo para os centros de consumo, originando, assim, um intensivo comércio com a zona açucareira de Pernambuco. O boi era transportado para as cidades portuárias, abatido, salgado e despachado, transformando os portos de Aracati, Acaraú e Camocim nos principais da região. Este processo da carne charqueada manteve-se florescente no Ceará, até a grande seca no final do século XVIII, quando os rebanhos se aniquilaram, em conseqüência de três anos de ausência de chuvas. Assim , o Ceará, voltado para a pecuária e agricultura de subsistência, sem grandes plantações de açúcar, ouro e outras riquezas de seu tempo, atravessou obscuramente a época da colonização, encerrando sua Segunda fase histórica, dependendo sucessivamente do Maranhão, Pará e Pernambuco. Somente em 1799, o rei nomeou o primeiro governador, Bernardo Manuel de Vasconcelos, que instalou a capital em Aquiraz, transferida em 1810 para Fortaleza. Outras vilas, no entanto, começaram a se formar junto às fazendas e encruzilhadas no interior. Uma das regiões mais prósperas se tornou o Cariri, tendo como centro a vila do Crato, fundada por uma missão franciscana. Icó prosperou como entreposto comercial, entre o Cariri e o litoral. Aracati era porto de mar, por onde se exportava o couro e o charque. Nesta época também, e na sucessão dos próximos governadores, iniciou o comércio direto com a Europa, que antes era canalizado exclusivamente pelo porto de Recife, fato que intensificou a exportação de produtos locais. O algodão começou a fazer parte da riqueza geral e, até recentemente, de excelente qualidade, disputava os mercados europeus, tendo sido o principal produto de exportação do Ceará. Com o franqueamento dos portos brasileiros em 1808, reforçaram-se as trocas com o Reino Unido e, a seguir, com os Estados Unidos e Portugal.

História Cearense sobre velhos trilhos abandonados

Prof. Cícero
Juazeiro do Norte, CE cidade fundada pelo Padre Cícero Romão Batista, teve sua estação ferroviária inaugurada no dia 07 de novembro de 1926. Neste último de 07, a Linha-tronco - km 587,748 (1960), CE-3482, completou 82 anos em completo abandono. É duro vê o patrimônio histórico material de um povo no esquecimento, e sendo lapidado pelo tempo e pelos vândalos. Nossa estação de Juazeiro do Norte serve de morada de morcegos, cães de rua, e de elementos excluídos da sociedade que por não terem onde dormir procuram abrigo na velha estação.
A LINHA: A linha-tronco, ou linha Sul, da Rede de Viação Cearense surgiu com a linha da Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes. Quando a ferrovia estava na atual Acopiara, em 1909, a linha foi juntada com a E. F. de Sobral para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal. A linha chega ao seu ponto máximo em 1926, atingindo a cidade do Crato, no sul do Ceará. Em 1957 passa a ser uma das subsidiárias formadoras da RFFSA e em 1975 é absorvida operacionalmente por esta. Em 1996 é arrendada juntamente com a malha ferroviária do Nordeste à Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). Trens de passageiros percorreram a linha Sul supostamente até os anos 1980. A ESTAÇÃO: Cidade fundada em 1827, Juazeiro, cidade do Padre Cícero, o "Padim Ciço", desde 1946 Juazeiro do Norte, teve sua estação inaugurada em 1926. Note-se que as duas fontes citadas no pé desta página citam o dia de abertura com um dia de diferença. "Lampião chegou ao Juazeiro na primeira semana de abril (de 1926), de onde voltou Às caatingas com um simulacro de patente de capitão. No mesmo ano, a 8 de novembro, Juazeiro inaugurou uma nova fase de sua civilização, com a chegada do primeiro trem da RVC, fator preponderante de seu atual progresso material e cultural. Contando com maus de noventa anos, doente, no ostracismo político mas venerado pelo seu povo, o Padre Cícero Romão Batista faleceu no dia 20 de junho de 1934" (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959). A estação ainda está de pé, mas não sei seu uso. (Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)