domingo, 18 de dezembro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Caririaçu

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caririaçu
Barbalha
Barbalha é um município brasileiro do estado do Ceará. Localiza-se no coração do verde vale. Está encravado junto com as cidades de Crato e Juazeiro do Norte na região do vale doCariri, é ainda a terra natal do padre Monsenhor Murilo, do advogado Hermes Carleial e dos médicos Leão Sampaio e Dr Lírio Callou. O topônimo Barbalha é alusivo ao nome de uma moradora de um sítio da região. Sua denominação original era Freguesia do Santo Antônio de Barbalha e desde 1838, Barbalha[6]. As terras localizadas às margens do Riacho Salamanca, eram habitadas pelos índiosKariri[7], antes da chegada das entradas no interior brasileiro durante o século XVII. Os integrantes das entradas, militares e religiosos, mantiveram os primeiros contatos com os nativos, estudaram todas as regiões dos Cariri, catequizaram os índigenas e os agruparam em aldeamentos ou missões. Os resultados destes contatos e descobrimentos desencadeiaram notícias que na região tinha ouro em abundância e em seguida desencadeou-se uma verdadeira corrida para os sertões brasileiros, onde famílias oriundas de Portugal, sonhando com as riquezas de terras inexploradas e com a esperança de encontrar o minério, que as levariam a aumentar o seu patrimônio material, além de aumentar o seu prestigio pessoal com a corte portuguesa. A busca do metal precioso, nas ribanceiras do Rio Salgado, trouxe para a região do Sertão do Cariri, a colonização e com consequência a doação de sesmarias, o que permitiu o surgimento de lugarejos e vilas. Deste contexto surge Barbalha, um núcleo urbano que cresce ao redor da capela de Santo Antonio fundada nas terras de Francisco Magalhães Barreto e Sá. A administração municipal localiza-se na sede: Barbalha. O município tem 4 distritos: Barbalha(sede), Arajara, Caldas e Estrela. Clima: Tropical quente semi-árido com pluviometria média de 1.160,1 mm [8] com chuvas concentradas de janeiro à abril[9]. Hidrografia e recursos hídricos: As principais fontes de água são os riachos: Boa Esperança, do Saco, São Francisco, da Onça, Salamanca e Santana(estes dois últimos afluentes do Rio Salgado. Relevo e solos: Situado ao lado sul da Chapada do Araripe, possui dois tipos principais de solo:latossolo e sedimentar.As principais elevações são as serras: Serra do Araripe. Já a bacia sedimentar se caracteriza por formar aqüíferos, existem várias fontes de água espalhadas por toda a área da chapada. Vegetação: A vegetação é bastante diversificada, apresentando domínios de cerradão, caatinga ecerrado. Dentro de sua área encontra-se a Floresta Nacional do Araripe. Economia: A economia do município de Barbalha tem sua base tradicional no comércio e na agricultura. Alguns empreendimentos industriais têm importância regional, como a ITAPUÍ S. A. - antiga IBACIP (Indústria Barbalhense de Cimento Portland), concessão da Cimento Nassau, a FARMACE, indústria química e farmacêutica e a usina de açúcar Manoel Costa Filho (a qual, entretanto, está hoje desativada). Há a atividade econômica ligada ao turismo e ao atendimento a pessoas em tratamento de saúde que abrange todo o nordeste. Em grande fase de crescimento econômico em que o Cariri se encontra, Barbalha também contribui com aumento do turismo, por sua privilegiada situação ao sopé da floresta nacional do araripe, e investimento em saúde (realizando procedimentos oncológicos, tratamento clínico oncológico, cirurgia cardíaca, neurocirurgia e terapia de reposição renal. O turismo é uma importante fonte de renda para Barbalha, devido a sua arquitetura como os prédios antigos:
§ Engenho Tupinambá
§ Casarão Hotel
§ Casa de Câmara e Cadeia Pública.
Atrativos Naturais:
§ Estância hidromineral com mais de 30 fontes de águas naturais. Algumas delas formam piscinas naturais e de águas minerais e hipotermais.
§ Floresta Nacional do Araripe: Importante ecossistema da flora e fauna regional, inclusive para espécies ameaçadas de extinção.
§ Arajara Park: Parque temático a 920 metros acima do nível do mar, com várias piscinas,toboáguas, gruta, trilha e meios para recreação infantil.
§ Balneário do Caldas: A mais de 700 metros de altitude, é um local de lazer mais popular, com piscinas, cascatas, palhoças e duas fontes naturais de águas térmicas. Chalés de veraneio e o Hotel das Fontes completam a estrutura do Balneário.
Cultura
O principal evento cultural é Festa do Pau da Bandeira: Anualmente, o mês de junho é destinado a homenagar Santo Antônio, padroeiro da cidade. O fato mais marcante das comemarações é o pau da bandeira, um tradicional rito praticado desde os tempos do Império.
O ritual se divide em duas fases. Na primeira, corte do pau, dezenas de devotos se embrenham na chapada do Araripe, onde cortam uma árvore de grande porte. O tronco é deixado no meio da floresta para secar. Alguns dias depois começa a segunda fase, a procissão do pau: os devotos pegam o tronco cortado, carregam-no nos próprios ombros até o centro da cidade e erguem-no diante da igreja matriz de Santo Antônio com uma bandeira do santo. Milhares de pessoas ocupam as ruas de Barbalha para presenciar a procissão.
O Pau da Bandeira mescla o sagrado e o profano, pois além das homenagens ao padroeiro, cuja festa é comemorada no dia 13 de junho, acontecem também forrós e bebedeiras. Tanto que durante toda a procissão uma carroça carregada de cachaça acompanha o cortejo: é a tradicional cachaça do senhor vigário.
A história do Ceará em um breve relato
Pero Coelho se instalou às margens do rio Pirangi (depois batizado rio Siará), onde construiu o Forte de São Tiago, depois destruído por piratas franceses. A esquadra de Pero Coelho teve que enfrentar ainda a revolta dos índios da região que inconformados com a escravidão, destruíram o forte obrigando os europeus a migrarem para a ribeira do rio Jaguaribe. Lá, a esquadra de Pero Coelho construiu o Forte de São Lourenço. Em 1607, uma seca assolou a região e Pero Coelho abandonou a capitania.
Em 1612 foi enviado ao Siará o português Martim Soares Moreno, considerado o fundador do Ceará, que também se instalou às margens do Rio Siará (atualmente Barra do Ceará), onde recuperou e ampliou o Forte São Thiago e o batizou de Forte de São Sebastião. Deu-se início a colonização da capitania do Siará, dificultada pela oposição das tribos indígenas e invasões de piratas europeus.
No ano de 1637, região foi invadida por holandeses, enviados pelo príncipe Maurício de Nassau, que tomaram o Forte São Sebastião. Anos depois a expedição foi dizimada pelos ataques indígenas. Os holandeses ainda voltaram ao litoral brasileiro em 1649, numa expedição chefiada por Matias Beck e se instalaram nas proximidades do rio Pajéu, no Siará, onde construíram o Forte Schoonenborch.
Em 1654, o Schoonenborch foi tomado por portugueses, chefiados por Álvaro de Azevedo Barreto, e o forte foi renomeado de Forte de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A sua volta formou-se a segunda vila do Ceará, chamada de vila do Forte ou Fortaleza. A primeira vila reconhecida foi a de Aquiraz. Em 1726, a vila de Fortaleza passou a ser oficialmente a capital do Ceará após disputas com Aquiraz.
Ocupação
Duas frentes de ocupação atuaram no Siará, a primeira, chamada de sertão-de-fora foi controlada por pernambucanos que vinham do litoral, e a segunda, do sertão-de-dentro, controlada por baianos. Ao longo do tempo o Siará foi sendo ocupado o que impulsionou o surgimento de várias cidades. A pecuária serviu de motor para o povoamento e crescimento da região, transformado o Siará na “Civilização do Couro”.
Entre os séculos XVIII e XIX, o comércio do charque alavancou o crescimento econômico da região. Durante esse período, surgiram as cidades de Aracati, principal região comerciária do charque, Sobral, Icó, Acaraú, Camocim e Granja. Outras cidades como Caucaia, Crato, Pacajus, Messejana e Parangaba (as duas últimas bairros de Fortaleza) surgiram a partir da colonização indígena por parte dos jesuítas.
A partir de 1680, o Siará passou à condição de capitania subalterna de Pernambuco, desligada do Estado do Maranhão. A região só se tornou administrativamente independente em 1799, quando foi desmembrada de Pernambuco e o cultivo do algodão despontou como uma importante atividade econômica. Às vésperas da Independência do Brasil, em 28 de fevereiro de 1821, o Siará tornou-se uma província e assim permaneceu durante todo o período do Império. Com a Proclamação da República Brasileira, no ano de 1889, a província tornou-se o atual estado do Ceará.
Momentos históricos
Em 1817, os cearenses, liderados pela família Alencar, apoiaram a Revolução Pernambucana. O movimento, que se restringiu ao município do Cariri, especialmente na cidade do Crato, foi rapidamente sufocado.
Em 1824, após a independência, foi a vez dos cearenses das cidades do Crato, Icó e Quixeramobim demonstrarem sua insatisfação com o governo imperial. Assim eles se aderiram aos revoltosos pernambucanos na Confederação do Equador.
No século XIX, vários fatos marcaram a história do Ceará, como o fim da escravidão no Estado, em 25 de março de 1884, antes da Lei Áurea, assinada em 1888. O Ceará foi portanto o primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão. Um cearense se destacou nessa época: o jangadeiro Francisco José do Nascimento que se recusou a transportar escravos em sua jangada. José do Nascimento ficou conhecido como Dragão do Mar (atualmente nome de um centro cultural em Fortaleza).
Entre 1896 e 1912, o comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly governou o Estado de forma autoritária e monolítica. Seu mandato ficou conhecido como a “Política Aciolina” que deu início ao surgimento de diversos movimentos messiânicos, alguns deles liderados por Antônio Conselheiro, Padre Ibiapina, Padre Cícero e o beato Zé Lourenço. Os movimentos foram uma forma que a população encontrou de fugir da miséria a qual se encontrava a região. Foi também nessa época que surgiu o movimento do cangaço, liderado por Lampião.
Nos anos 30, cerca de 3 mil pessoas se reuniram, sob a liderança do beato Zé Lourenço, na região no sítio Baixa Danta, em Juazeiro do Norte. O sítio prosperou e desagradou a elite cearense. Em setembro de 1936, a comunidade foi dispersa e o sítio incendiado e bombardeado. O beato e seus seguidores rumaram para uma nova comunidade. Alguns moradores resolveram se vingar e preparam uma emboscada, que culminou num verdadeiro massacre. O episódio ficou conhecido como “Caldeirão”.
Nos anos 40, com a Segunda Guerra Mundial, foi montado uma base norte-americana no Ceará mudando os costumes da população, que passou a realizar diversos manifestos contra o nazismo. Também na mesma década, o governo, afim de estimular a migração dos sertanejos para a Amazônia realizou uma intensa propaganda. Esse contingente formou o “Exército da Borracha”, que trabalharam na exploração do látex das seringüeiras. Milhares de cearenses migraram para o Norte e acabaram morrendo no combate entre Estados Unidos e Aliados com os exércitos do Eixo, sem os seringais da Ásia para abastecê-los.
sábado, 31 de julho de 2010
A história do Crato Cearense
História de Crato (1)
Por:
Armando Lopes Rafael
Vila Real do Crato
Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à homônima existente no Alentejo português. Com isso se cumpria o Aviso de 17 de junho de 1762, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. A partir daí, a Vila Real do Crato foi trilhando a senda do processo civilizatório, sempre inspirado no que vinha de bom do Reino, ou seja, do que chegava da metrópole portuguesa. A marca do pioneirismo passaria a caracterizar a existência de Crato, como veremos nas postagens seguintes. 2 - A terceira foto postada nesta matéria é de uma vila localizada ao sopé da Chapada do Araripe, no município de Crato.Postei-a por ter a mesma paisagem e vegetação que emoldurava a antiga Vila Real do Crato nos seus primórdios.
Fonte: http://caririag.blogspot.com/2008/12/historia-de-crato-1.html
Um resumo da história cearense
A produção historiográfica da América - latina é eurocêntrica e ocidentalizaste, logo com o Brasil não seria diferente. Já que a história da conquista, da dominação e do expansionismo lusitano é construída com esta visão européia, ganhando até a expressão “Descobrimento do Brasil”, pois nega a historicidade do povo ameríndio. A Etno-história é uma ferramenta muito importante para exorcizarmos esta visão eurocêntrica da história do Brasil e podermos entender a origem não só dos ameríndios do Ceará, mas de todo o Brasil, e só através da etno-história poderemos montar o quebra-cabeça para termos condições de construímos a historiografia do Ceará colonial.
Além dessa visão eurocêntrica que tem um caráter fortemente ideológico e dominador, a versão oficial que atribui o descobrimento a Cabral está errada. O primeiro europeu a chegar ao Novo Mundo-Brasil foi o espanhol Vicente Pinzón que aportou no litoral cearense de Santa Maria de La Consolación (Mucuripe) na manhã do dia 26 de janeiro de 1500. Pinzón não é considerado o descobridor porque esta terra pertencia a Portugal conforme os termos do Tratado de Tordesilhas. - A origem do nome Ceará é imprecisa. No início era escrito com “s”: Siará, Seara, Ciará e Ceará, com diferentes significados conforme os diversos autores: “cantar forte”, “canto da jandaia”, “pequeno periquito”, “abundância de caça”, “caranguejo branco” ou uma variação de Saara (deserto africano). - Antônio Cardoso de Barros, donatário da capitania, não tomou posse da terra. O Siará Grande só começou a ser conquistada pelos portugueses no início do século XVII, com a bandeira de Pero Coelho( Forte de São Tiago, na Barra do Ceará) e com a missão catequética dos padres Francisco Pinto e Luis Figueira. Ambos fracassaram.
O mito fundador do Ceará foi formulado pelo romancista José de Alencar que atribuiu a conquista do território a um ato de amor entre a índia Iracema e o guerreiro branco Martim, pais do primeiro cearense , Moacir – o filho da dor. O guerreiro branco era Martim Soares Moreno que edificou na barra do rio Ceará o Forte de São Sebastião e é considerado pelos escritores românticos o “fundador do Ceará”. - Os holandeses invadiram o Ceará duas vezes; na segunda em 1649, levantaram na embocadura do rio Pajeú (enseada do Mucuripe) uma fortificação, a que deram o nome de Schoonenborch. A expedição saiu do Recife com o comando de Matias Beck, "a serviço da pátria e da Companhia das índias Ocidentais", pretendia encontrar prata no Monte Itarema, em Maranguape. O forte foi o centro das atividades militares e de exploração. Em 1654 os holandeses foram derrotados e entregaram o forte aos portugueses, que o reformaram (substituindo a construção de madeira por alvenaria) e dele fizeram quartel e sede do governo da capitania, com o novo nome de Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, berço da atual capital cearense. Entre 1621-56 o Ceará ficou submisso ao Maranhão. De 1656-1799 permaneceu na dependência de Pernambuco, o que dificultou o desenvolvimento local- Portugal ordenou o estabelecimento da primeira vila do Ceará em 1699 -a de São José de Ribamar-, que por anos se deslocou entre a Barra do Ceará, o Forte de Nossa Senhora de Assunção e Aquiraz, e só ficou definitivamente nesta localidade em 1713.
Fortaleza somente foi elevada à categoria de vila e capital em 1726 e não apresentou até a 2ª metade do século XIX, maior importância econômica-política. Em 1736, Icó foi elevada à condição de vila, a primeira do interior; Aracati alcançou a categoria de vila em 1748; Sobral, em 1773. - Os Jesuítas buscaram catequizar os índios nos aldeamentos que deram origem a vários núcleos urbanos da atualidade, como Viçosa do Ceará, Caucaia, Parangaba, Messejana, Barbalha e Baturité, entre outros. - Na economia o Ceará foi outro Nordeste, sem a riqueza da cana-de-açúcar ou o esplendor do pau-brasil. A ocupação econômica do sertão ocorreu com o avanço da pecuária conduzido por aventureiros atraídos pelos excelentes pastagens e do bom clima dos sertões. À proporção que conquistavam terreno, instalavam currais para nuclear os rebanhos que conduziam, e, sem demora, oficializavam suas conquistas com a obtenção de datas ou sesmarias. O avanço da pecuária levou a expulsão dos índios na “guerra dos bárbaros”. Alguns silvícolas foram domesticados e aproveitados no trabalho como vaqueiro, recebedores da remuneração em forma de quarta. A produção no séc. XVII de charque (Carne seca) foi um dos fatores para o crescimento de Aracati, tida como o “pulmão da economia cearense”. Sobral( “princesa da zona norte”)e Icó também merecem destaque na chamada “Civilização do Couro”.
A Revolta dos Padres ocorreu em 1817 em Pernambuco. Foi um movimento emancipacionista liberal e republicano. No Ceará apenas a vila do Crato, com a família Alencar, aderiu a revolta que foi sufocada e Bárbara de Alencar se tornou a primeira mulher presa por razões políticas na história do Brasil. - As províncias do Grão-Pará, Cisplatina,Bahia, Piauí e Maranhão não aceitaram a independência do Brasil.Nas duas províncias do nordeste as tropas portuguesas eram comandadas por Cunha Fidié. O Ceará teve decisiva participação na campanha contra o comandante português. Um exército improvisado, de mais de seis mil homens, sob as ordens de Pereira Figueiras e Tristão Gonçalves, enfrentou o inimigo em Caxias e fê-lo capitular , a 1º de agosto de 1823.
O Ceará participou da Confederação do Equador(1824), movimento separatista, liberal e republicano contra o absolutismo de D. Pedro I que outorgou a Constituição de 1824. Os principais líderes—Tristão Gonçalves, Pereira Figueiras, Pessoa Anta, Padre Mororó, entre outros,acabam mortos com o fracasso da revolta. - Em 1831, com a abdicação de Pedro I, O monarquista, coronel de Jardim, Pinto Madeira iniciou uma guerra civil no Ceará contra os liberais do Crato pela hegemonia do Cariri.Os jagunços que lutaram de ambos os lados mal sabiam as razões da guerra dos coronéis. Pinto Madeira foi derrotado, julgado e fuzilado em 1834.
Em 1840, ocorreu a Revolução de Sobral—conservadores tentaram assassinar o presidente liberal da província, senador Alencar. Este, porém, derrotou os inimigos. - O Ceará anuncia oficialmente a extinção da escravidão negra em seu território, sendo pioneiro no Brasil, em 1884.
Nessa campanha abolicionista, destaca-se Francisco José do Nascimento, o “Dragão do Mar”. O pioneirismo cearense deveu-se ao pouco peso do braço escravo na economia local, ao aumento do tráfico interprovincial de escravos, a resistência negra, ao movimento abolicionista e a seca de 1977 que arruinou a economia cearense. Francisco José do Nascimento: o “Dragão do Mar” – líder abolicionista- O plantio do algodão, voltado para o mercado externo, foi favorecido pela Revolução Industrial inglesa, Independência dos Estados Unidos e teve o apogeu com a Guerra da Secessão americana. Fortaleza,capital e cidade coletora e exportadora do algodão, teve importantes beneficiamentos. São dessa época: ruas calçadas e iluminadas a gás, rede ferroviária, telefones, lojas bem montadas, bons educandários. Chegavam as idéias novas com a “Academia Francesa” e os jornais cearenses se caracterizaram pelo espírito polêmico. Fortaleza assumiu a condição de principal cidade do Ceará, cresceu e se “aformoseou”, imitando os padrões parisienses, era a época do “Belle Epoque”.
A Padaria Espiritual se destacou entre os vários grupos intelectuais cearenses do final do século XIX . Fundada por Antônio Sales, os padeiros se reuniam no Café Java na Praça do Ferreira e agitaram a cultura local com humor e ironia. - O povo cearense assistiu bestializada a proclamação da República. Gerônimo Jardim, o último presidente monarquista, foi deposto e assumiu o poder Luiz Ferraz que faleceu em 1891.O novo governador João Cordeiro, afastado pelo deodorista Clarindo de Queiroz. Este foi deposto por uma revolta, ascendendo ao poder o grupo político do ex-monarquista e republicano “de véspera” Nogueira Accioly. - A oligarquia comandada por Nogueira Accioly dominou o Ceará de 1896 a 1912 com características de nepotismo (emprego de parentes nos cargos públicos), despotismo, corrupção e natureza monolítica. As razões da hegemonia aciolina devem ser buscadas na adesão à Política dos Governadores, violência contra a oposição, apoio dos latifundiários do interior do estado com destaque para o “pacto dos coronéis” articulado pelo padre Cícero Romão. A queda de Nogueira Accioly, apelidado de “babaquara”, ocorreu após uma revolta popular em Fortaleza e está ligada à “Política das Salvações” do presidente Hermes da Fonseca. As oposições comandadas por Franco Rabelo derrubaram Accioly, mas não alteraram o sistema oligárquico-clientelista. Apesar disso, o povo comemorou nas ruas de Fortaleza a queda do oligarca.
A Sedição de Juazeiro foi a deposição do salvacionista Franco Rabelo em 1914 pelos romeiros e sertanejos coaptados e comandados por Floro Bartolomeu, este aliado político e acessor do Padre Cícero, por motivos inerentes a conjuntura política caririense da época, Pe. Cícero aliou-se a oligarquia aciolista. O temor da Igreja Católica conservadora com o crescimento de uma igreja de vanguarda e popular de valorização dos pobres e excluídos produziu a questão religiosa de Juazeiro que se agravou ainda mais com o “milagre da hóstia” que virou sangue na boca da beata Maria de Araújo. O Bispo D. Joaquim não reconheceu este suposto milagre. Cícero morreu em 1934, excomungado pela Igreja Católica. Hoje há um intenso movimento dentro da Igreja por sua reabilitação. Para o povo do sertão, o Padre Cícero Romão Batista já é um “santo” e foi escolhido recentemente em votação popular o “cearense do século”.

